O ano ainda nem acabou e o número de medicamentos falsificados apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) já supera em mais de 100 mil o total apreendido em todo o ano passado. De janeiro a outubro de 2008 foram apreendidas 444,8 mil unidades de medicamentos falsificados enquanto que em 2007 esse número foi de 322,6 mil.A realidade é tão preocupante que esta semana o Ministério da Justiça promoveu uma reunião com representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e da Receita Federal, além de representantes de 270 indústrias farmacêuticas nacionais e estrangeiras para discutir o tema.Considerado crime hediondo pela legislação brasileira, a falsificação de remédios tem sido uma das principais preocupações do Conselho Nacional de Combate à Pirataria por conta das constantes denúncias em todo o mundo envolvendo a sua comercialização. E o Piauí não fica de fora desse cenário.Pelo contrário, tem participação efetiva nesse mercado ilegal. Só este ano o número de denúncias desta natureza cresceu sete vezes em relação ao ano passado. Segundo Antônio Pedro, coordenador do setor de medicamentos da Vigilância Sanitária Estadual, cerca de 30% a 35% dos medicamentos comercializados são provenientes de atos ilegais.“Qualquer medicamento que seja vendido por camelôs e não tenha o registro da Vigilância Sanitária é ilegal. É imprescindível que a população só adquira medicamentos de farmácias que emitam a nota fiscal e sejam registradas”, alertou o coordenador.Mas em Teresina essa, por sinal, é uma atitude pouco praticada. Em vários pontos de Teresina a venda de medicamentos por ambulantes é feita de maneira “descarada”. As inúmeras denúncias e até de queixas policiais não foram suficientes para inibir a ação dessas pessoas que vendem seus produtos livremente.A prática que é proibida por lei vem causando polêmica, pois a venda de tais produtos por ambulantes não obedece aos critérios técnicos estabelecidos pelo Conselho de Farmácia, além é claro, desses medicamentos terem uma procedência duvidosa podendo causar sérios danos à saúde.Alheia à proibição, os ambulantes do centro vendem livremente os medicamentos e parecem não se incomodar com a fiscalização. É o caso de vários ambulantes que ficam em pontos estratégicos do centro de Teresina, como em frente ao Banco do Nordeste, próximo a Praça da Bandeira.No local, são mais de quatro barracas vendendo diclofenaco e dipirona.Perguntado sobre a origem dos medicamentos, o ambulante foi enfático “não sei de onde vem não, pego em Timon e vendo aqui”, pontua e sai de perto da banca, mostrando o total descaso com os seus “possíveis consumidores”.Produtos baratos têm clientela garantidaEntretanto, o que mais assusta é que a população adquire sim esses medicamentos e não se incomodam com a pouca garantia de qualidade. “Já comprei várias vezes esses remédios. E sempre deram resultados. Lá em casa todo mundo toma desses remédios, e ninguém nunca reclamou. Além do que, eles são mais baratos que os da farmácia”, diz a funcionária pública Adenira Lustosa.A cartela de um anti-inflamatório nessas bancas, como o diclofenaco, por exemplo, custa apenas R$ 2,00. O vendedor ambulante fez ainda questão de afirmar que nunca foi pego pela fiscalização.“A Vigilância Sanitária e a Delegacia da Receita Federal sempre fazem essas buscas por aqui. Às vezes eles levam uma grande quantidade de mercadoria, mas na maioria das vezes a gente sempre consegue esconder deles”, disse.Mas Alex Aragão, fiscal sanitário e responsável pelo setor de fiscalização da Vigilância, garante que as fiscalizções estão acontecendo e faz um alerta à população. “Todo medicamento, para surtir efeito, deve ser utilizado na dosagem certa e não é um vendedor que vai saber a quantidade correta que deve ser administrada ao paciente. Isto é um trabalho de especialista, um farmacêutico ou mesmo através de uma prescrição médica. Então, pedimos á população que não faça uso indiscriminado de medicamento”.
Fonte: Jornal Meio-Norte
Fonte: Jornal Meio-Norte