Preço da passagem chega a ser a metade do cobrado nas linhas regulares Enquanto os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte discutem onde ficará a rodoviária da capital, empresas que fazem irregularmente o transporte de passageiros já estão implantando terminais clandestinos pela cidade. O Terminal Turístico JK, no Barro Preto, região Centro-Sul, que é ponto de embarque e desembarque de passageiros de empresas de turismo, com ônibus fretados, funciona também como uma espécie de rodoviária alternativa. De lá, partem muitas das chamadas linhas "genéricas", que fazem o transporte irregular de passageiros entre a capital e cidades principalmente no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas, e outras capitais, como Brasília. Mas com o reforço da fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito (DER) no JK, motoristas passaram a usar outros pontos de embarque. Segundo o assessor da subsecretaria de Transportes, Lindberg Garcia, um deles fica no bairro São Francisco, próximo ao Anel Rodoviário. O horário preferido é à noite, quando a fiscalização é menor. Algumas empresas preferem adotar áreas próximas ao terminal JK, como a avenida Barbacena, no bairro Santo Agostinho.Ontem, por telefone, uma empresa informou à reportagem que o local de embarque foi alterado e passou do terminal JK para a rua Rio Grande do Sul, no centro. Os veículos são de empresas totalmente clandestinas ou de turismo que têm a permissão de fazer o transporte fretado, mas que não podem fazer viagens periódicas. Esses ônibus fazem uma concorrência desleal com as linhas regulares. A passagem é até 50% menor. Para Almenara, enquanto a tarifa do ônibus rodoviário é de R$ 128,50, no "genérico" custa R$ 65. Para Brasília, o convencional custa R$ 105 e o irregular é R$ 80. Atualmente, o DER possui 80 processos administrativos contra empresas de turismo do Estado que estariam fazendo transporte clandestino. A empresa Gontijo, que tem a concessão para fazer o transporte rodoviário para cidades do Vale do Jequitinhonha, já suspendeu, por tempo indeterminado, a linha Belo Horizonte/Joaíma por falta de passageiros, devido aos prejuízos causados pela clandestinidade. Lotação Uma semana para reservarA reportagem telefonou para as empresas simulando interesse na compra das passagens. Duas confirmaram que fazem viagens diárias saindo à noite do Terminal JK, com destino a Almenara. Uma terceira mudou o local devido à fiscalização e passou a embarcar passageiros às terças e sextas, também à noite, na rua Rio Grande do Sul, no centro da capital. E a procura é grande. Devido à lotação, só era possível comprar passagens para daqui a uma semana. Já para Brasília, a reserva da passagem pode ser feita até pela Internet. A empresa, que no site afirma que faz transporte interestadual fretado para eventos e congressos, por telefone confirma que possui uma linha regular ligando as duas capitais que sai às sextas, domingos e segundas, às 20h, do Terminal Turístico JK. O pagamento só pode ser feito por depósito bancário. O comerciante Álvaro José Lopes, 42, mora em Almenara, no Vale do Jequitinhonha, e tem que fazer viagens a Belo Horizonte constantemente. Ele tem filhos que moram em Belo Horizonte. Todos utilizam os ônibus clandestinos para fazer o trajeto. “É uma forma de economizar. Nunca tive problema nesses ônibus, mas não deixo de ficar com receio de ser parado”. Ele afirma que em sua cidade, os ônibus “genéricos” já são preferidos pela maioria da população. “Mesmo porque essa região é muito carente, a maioria das pessoas é mais pobre e não tem condições de arcar com uma passagem tão cara”, disse. (EM)Relato Clandestinos se misturam aos ônibus de excursãoUm funcionário de uma loja instalada no Terminal Rodoviário JK, que pediu para não ser identificado, afirma que no local funciona mesmo uma rodoviária alternativa. “Os ônibus se misturam com os de excursões e só saem lotados. O problema é que muitos deles são ônibus mais velhos, com mais de 15 anos de fabricação, não têm manutenção direito, mas as pessoas vão neles por causa do preço mesmo”, disse. Outra funcionária de uma agência de viagens do terminal diz que todos têm receio de falar do assunto. “Eles (os clandestinos) impõem medo a quem trabalha aqui para não falar nada. A gente tem medo de represálias”, afirmou. Segundo o assessor da Subsecretaria de Transportes, Lindberg Garcia, empresas que trabalham com ônibus de turismo não podem fazer um mesmo trajeto rotineiramente. As credenciadas pelo DER para fazer o transporte fretado só podem fazer as viagens se cadastrarem, junto ao DER, com 12 horas de antecedência, uma lista com o nome de todos os passageiros e não podem embarcar ninguém no meio do caminho nem fazer itinerário idêntico aos ônibus rodoviários. Algumas clandestinas fazem reservas por telefone e pedem nome e identidade dos passageiros para apresentar a lista exigida ao DER. Segundo Garcia, se descoberto que uma concessionária está fazendo transporte clandestino, é aberto um processo administrativo que demora, no mínimo, seis meses para ser concluído e só então a empresa pode ter a concessão suspensa por um ano. Garcia informa que, durante as fiscalizações, são encontradas irregularidades como falta de seguro contra acidentes e condutores sem habilitação para dirigir ônibus.
Fonte: O Tempo
Fonte: O Tempo