segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Rota do Sol - Ônibus desgovernado fere 29

Veículo de dois andares transportava 64 paraguaios, a maior parte integrantes do grupo que se apresentou e foi premiado no Bento em Dança, na madrugada de sábado. O motorista disse ter percebido que o veículo não diminuía a velocidade. Então, desgovernado, o ônibus atravessou a pista e só parou quando um pedaço da estrutura de proteção metálica rasgou e entrou na lataria. No começo da noite de ontem, seis passageiros seguiam internados, sendo quatro em estado grave. São Francisco de Paula - Uma proteção metálica (guardrail) recentemente instalada em uma das curvas mais perigosas da Rota do Sol impediu que o primeiro acidente em 22 anos de carreira do motorista Bartolome Fretes, 45 anos, tivesse a dimensão de uma tragédia. Vinte e nove passageiros, entre cinco e 60 anos, ficaram feridos e foram levados a hospitais.Motorista do ônibus de dois andares da empresa Sol de Paraguay, ele perdeu o controle do veículo placas CAE-987 ano 2007 às 2h30min de ontem na altura do Km 4 da Serra do Pinto e bateu na proteção metálica que separa a pista de um desfiladeiro de 100 metros de altura (leia entrevista abaixo).O veículo de 22 toneladas transportava 64 pessoas, a maior parte integrantes do grupo Vivencias Estudio de Danza, de Assunção, de onde saíram na quarta-feira passada para participar na sexta-feira e sábado do Bento Em Dança, em Bento Gonçalves. Eles seguiam para Balneário Camboriú (SC).No começo da noite, quatro seguiam internados em Caxias do Sul e dois em Porto Alegre. No Hospital Pompéia, Emílio Agustin Britez Manrique, 21, que teve traumatismo craniano, estava em situação regular, e Petrona Graciela de Jara, 57, com a mão fraturada, seguia em observação. Já o quadro de Maria José Gonzales Chaparro, 15, e Lucina Antônia Almeida de Aquino, 51, era grave. Elas tiveram traumatismo craniano.Em Porto Alegre, os casos mais delicados eram dos irmãos Humberto Duarte Benitez, seis, e Gustavo Duarte Benitez, 19, internados no Hospital de Pronto-Socorro. A mãe deles, Lídia Caterine Duarte Benetiz, 34, passou mal e foi medicada no mesmo hospital.Todos os pacientes que receberam atendimento no Hospital Geral, em Caxias, foram liberados.Ainda ontem pela manhã, acompanhado do motorista reserva Juan Carlos Aveiro, 34, Fretes continuava no local do acidente tentando entender o porquê do choque contra o guardrail. Ele conta que a noite estava clara e que não havia neblina, nem chovia. O motorista não conhecia a estrada de curvas, viadutos e túneis. Diz ter sentido que perdera o controle do veículo quando notou que ele não diminuía a velocidade. Desgovernado, o ônibus atravessou a pista e parou quando um pedaço da estrutura de proteção metálica invadiu quatro metros corredor adentro, passando entre ele e seu parceiro de cabine. Ao sair dos destroços, pôde observar que um dos pneus traseiros esquerdo estava murcho.Socorro - O vigia João Carlos Prux da Silva, 43, estava cerca de 300 metros adiante de onde aconteceu o acidente, em uma guarita do canteiro de obras da empresa que constrói terceiras pistas na Rota do Sol. Assim que ouviu o barulho, pediu que sua mulher assumisse o posto e subiu correndo até a curva onde, no início de junho, fora ao socorro de um motociclista também acidentado, que morreu no hospital. João Carlos ligou para o Grupamento da Polícia Rodoviária de Gramado para pedir socorro.- Fui até lá porque às vezes um minuto faz a diferença para salvar uma pessoa. Cheguei e vi três ou quatro crianças deitadas no asfalto. Estavam bastante machucadas. Já vi muito acidente naquela curva, mas não com tanta gente - contou.Pouco depois chegou a jornalista Sabrina Reis, 28. Ela, o marido e um casal de amigos retornavam de um rodeio em Praia Grande (SC). Como não encontraram lugar para dormir em Arroio do Sal, no Litoral Norte, resolveram seguir viagem até São Marcos, onde residem.- Foi um grande susto. Eram crianças chorando desesperadas, mães em pânico procurando os filhos. Era muita gente ferida, havia sangue em todo lugar. Uma criança foi arremessada pela janela do segundo andar. Quebrou o vidro e bateu contra o asfalto - ouviu.Sabrina conta que a primeira ambulância demorou 45 minutos. Durante esse tempo, ela tentava dar auxílio aos feridos, driblando o nervosismo e as dificuldades de comunicação:- A sorte foi um enfermeiro que parou para ajudar. Ele deu os primeiros socorros e nos orientou.Sabrina, o marido e seus amigos ficaram cerca de duas horas às margens da rodovia e só saíram depois de o último ferido ser socorrido.
Fonte: Pioneiro