segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Redução de acidentes - Efeitos da Lei Seca dividem opiniões

Nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal voltou a registrar aumento no número de acidentes de trânsito Apesar de um estudo do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontar a redução de acidentes após a vigência da Lei Seca, segmentos ligados ao trânsito têm opiniões divididas. A pesquisa analisou números de acidentes ocorridos nas capitais comparando os meses de julho e agosto de 2008 ao mesmo período do ano passado. O comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coronel Paulo Cezar Vieira, acredita que os índices diminuíram nas áreas urbanas, mas poderão ser ainda menores. — É difícil atingirmos o índice zero, porém as campanhas educativas lembrando a vigência da lei devem ser intensificadas para que os números caiam ainda mais. A mídia hoje faz um trabalho de conscientização e as pessoas estão seguindo as recomendações — destacou o coronel. O comandante da Guarda Civil Municipal, major Sandro Rodrigues, concorda com Cezar Vieira e defende mais rigor aos motoristas que utilizam bebida alcoólica no trânsito. “Os números diminuíram, mas precisamos ter leis mais severas que inibam os infratores. Em alguns países europeus, o motorista embriagado também perde o carro, que é leiloado. Seria uma das saídas para pôr fim a esse tipo de impunidade”, apontou. Já o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) José Maurício Sarmet, acha que houve redução nas primeiras semanas da lei em vigor, mas, segundo ele, os números voltaram a subir nas estradas. “Houve relaxamento por parte dos motoristas depois que um juiz admitiu que o bafômetro não serve de parâmetro para medir o estado de embriaguez. Além da acomodação da população, a rodovia está em melhores condições de tráfego e isso tem facilitado o excesso de alguns motoristas”, destacou. O diretor do Hospital Ferreira Machado (HFM), José Manoel Moreira, também afirma que os acidentes voltaram a acontecer. “Nas primeiras semanas da lei em vigor, os motoristas atentaram para as penalidades. Com a fiscalização menos intensa, os índices de acidentes voltaram a elevar. Há necessidade que o trabalho seja permanente, principalmente em relação aos equipamentos de segurança, como cintos e capacetes”, concluiu o médico.
Fonte: Folha da Manhã