Velocidade. No primeiro dia de uso do equipamento, 811 notificações foram expedidas entre 8h e 18hSegundo polícia, via possui placas de alerta sobre fiscalizaçãoO primeiro dia de funcionamento do radar móvel no Anel Rodoviário revelou um comportamento nada exemplar do motorista belo-horizontino. Em dez horas de operação do aparelho, entre 8h e 18h de ontem, 811 pessoas foram notificadas (81 por hora, ou 1,3 por minuto) por não respeitarem o limite de velocidade de 80 km/h. Na primeira hora de funcionamento, 67 veículos foram flagrados em alta velocidade no declive de 8 km entre os bairros Olhos D’água e Betânia, na região Oeste. O radar móvel foi emprestado à Polícia Militar Rodoviária (PMR) pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). As lombadas eletrônicas do Anel, assim como todos os radares das estradas federais que cortam o Estado, estão desligadas por falta de licitação. Segundo a PMR, a estimativa é de que, nos próximos dias, o número de multas aumente quatro vezes, chegando a 250 por hora, quando o aparato de viaturas no local onde estiver o equipamento será menor - ontem, os veículos serviram de alerta e muitos motoristas reduziram a marcha. A PMR garante que o Anel possui sinalização de alerta sobre presença de fiscalização eletrônica, conforme determina a lei. Força-tarefa. O uso do radar foi resultado de esforços de uma força-tarefa montada por vários órgãos de trânsito, na tentativa de reduzir o número de acidentes e vítimas no Anel, via considerada a mais perigosa da capital. O radar será usado em toda a extensão do Anel Rodoviário de dia e à noite. Os pontos considerados mais críticos serão priorizados. De acordo com o responsável pelo policiamento do Anel Rodoviário, capitão Aguinaldo Lima de Barros, o principal é o trecho de descida de 8 km entre os bairros Olhos D’água e Betânia, que concentra 40% do total de acidentes. Segundo o capitão, o radar estará em pelo menos cinco pontos do Anel diariamente, sendo dois nesse trecho. Outros pontos considerados preocupantes são os acessos às avenidas Amazonas, Tereza Cristina, Via Expressa e BR-040. "Nesses locais há constantes congestionamentos e os veículos pesados que vêm em alta velocidade não conseguem frear e acabam atingindo carros que estão mais lentos", explica Barros. O radar móvel, afirma o policial, é um alento à fiscalização da velocidade, mas não é suficiente. Para ele, o ideal seria que as dez lombadas eletrônicas geridas pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) estivessem ligadas. Os aparelhos estão inoperantes há pouco mais de um ano. Nesse período, os acidentes aumentaram 9% nas rodovias federais que passam por Minas. O processo licitatório está paralisado desde o início de outubro por um mandado de segurança expedido pela Justiça em favor de duas empresas que participam do processo. Ainda não há previsão de quando as lombadas eletrônicas serão reativadas. Nos editais há a previsão de que o número de equipamentos seja triplicado no Anel. O autônomo Afonso Notaro, 46, afirma que a fiscalização é necessária. "Não existe segurança para o motorista e para o pedestre no Anel. É para o nosso próprio bem", diz.A favor"Passo aqui pelo menos duas vezes por dia e vejo que os motoristas abusam da velocidade. É preciso ter fiscalização para nos sentirmos mais seguros de trafegar pelo Anel porque o excesso de velocidade é a principal causa de acidentes" Flávio Fiorato, 26 MotoristaContra"O radar assusta os motoristas e aumenta o risco de acidentes. Também acho que, já que é para ter radar, eles têm que estar sinalizados e, em vez disso, ficam escondidos, ou seja, não há caráter educativo e, sim, pura intenção de multar" Ayslan Marques, 31 Chefe de TransportesTravessiaPróximo passo é reforçar segurança de pedestresOs próximos passos da força-tarefa do Anel Rodoviário será implantar ações voltadas para pedestres e motociclistas, que representam a maioria das vítimas na via. Dos 22 mortos neste ano, dez eram pedestres e seis, ocupantes de motos. Os caminhões também são responsáveis por quatro em cada dez acidentes no Anel, e estão envolvidos em batidas com maior gravidade. A Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) realiza campanha educativa voltada para pedestres em 41 escolas do entorno do Anel, em parceria com uma universidade. A polícia pretende iniciar outra campanha, mas voltada aos motociclistas. A Polícia Militar Rodoviária admite que a atuação para reduzir os acidentes é restrita devido a problemas estruturais da via. "Além do excesso de velocidade, temos problemas de estreitamento de pista nos viadutos. A solução mesmo seria a construção do Rodoanel, que aliviaria o trânsito pesado de caminhões", disse, em referência a uma nova via de trânsito pesado na Grande Belo Horizonte, ainda em fase de projeto. Limites. Uma polêmica entre os motoristas e as autoridades são os limites máximos de velocidade no Anel. Motoristas afirmam que 80 km/h é uma velocidade baixa e que o ideal seria 90 km/h ou 100 km/h. "Se você rodar a 80 por hora é atropelado por um caminhão que desce sem freio. Aí ficamos em uma encruzilhada, porque se aceleramos, somos multados, se andamos devagar, causamos acidentes", disse o entregador Reginaldo Francisco Castelo, 29. A polícia solicitou ao Dnit a reavaliação do limite de velocidade do trecho mais crítico, na descida do Betânia.
Fonte: O Tempo
Fonte: O Tempo