O agricultor Adelar Segatto, 41 anos, sabe muito bem o que é trafegar por uma rodovia esburacada. Desde 2005, ele espera com ansiedade o reinício das obras do eixo norte da RSC-471, entre Barros Cassal e Santa Cruz do Sul. A conclusão dos 111 quilômetros que ainda faltam, anunciada pelo governo do Estado, tornou-se uma mistura de expectativa e esperança para os motoristas. Mas por enquanto, quem dirige veículos pesados, como caminhões, opta por utilizar uma outra rota, fazendo com que a viagem leve mais tempo do que o normal. “É uma vergonha, dependemos da estrada”, critica Segatto, que estava no carro acompanhado da esposa, do filho e da sogra. O morador do distrito de Arroio Ligeiro, no interior de Barros Cassal, transporta fumo para o Vale do Rio Pardo. “É mais sacrifício”, lamenta. O agricultor desce por Soledade, Lajeado, Venâncio Aires até chegar em Santa Cruz. Apesar do aumento da distância e dos pedágios, o trajeto compensa pelo asfalto. Se a 471 estivesse finalizada, o percurso seria de uma hora e meia. Entretanto, é feito em quatro horas, revela o empresário Neri Guterres dos Santos, 56 anos. “Hoje faço 214 quilômetros. Quando estiver pronta, farei 110”, projeta Santos, que transporta tabaco há 25 anos. Por viagem, são gastos R$ 290,00 com óleo diesel, o dobro do previsto caso a estrada estivesse em boas condições. “O dinheiro público foi desperdiçado. Estava tudo britado, pronto para colocar o asfalto”, lamenta. Para ele, a rodovia tem que ser prioridade. “É de grande importância, vários caminhões vão passar por aqui”, diz, referindo-se ao escoamento da produção. Para asfaltar 91 quilômetros entre Barros Cassal e Vera Cruz, estão previstos R$ 40 milhões no orçamento de 2009, através do programa Duplica RS. A intenção é entregar esse trecho até o fim de 2010. O governo do Estado também investirá R$ 7 milhões nos outros 20 quilômetros restantes entre Vera Cruz e Santa Cruz do Sul.
Fonte: Gazeta do Sul
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