Espera gera longas filas de caminhões dos dois lados da Via 9 O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Bens do Rio Grande (Sindicam) está preocupado com a falta de resolução do problema que vem sendo enfrentado, “diariamente”, pelos caminhoneiros que trabalham com o Tecon. Esses motoristas, que atuam no transporte de contêineres de importação e exportação, tanto dos terminais retroportuários para o Tecon, quanto de fora do Município, têm enfrentado longa espera em filas dos dois lados da Via 9, inclusive à noite. Além disso, o Sindicato reclama que ainda ficam sujeitos a assaltos, pois não há guardas no local, enquanto em frente ao Tecon existe um pátio de estacionamento do porto do Rio Grande destinado à área de contêineres. O pátio, construído pelo Exército Brasileiro, foi inaugurado em agosto do ano passado e até agora não está em uso. Conforme o secretário do Sindicam, Giovane Simões de Sá, as filas, nas quais os caminhoneiros chegam a esperar até oito horas para carregar contêineres de importação ou descarregar os destinados à exportação, vêm sendo registradas há dois anos. E a resolução do problema passa por duas medidas que precisam ser adotadas: liberação da utilização do pátio de estacionamento, que dará mais segurança aos motoristas durante a espera, e agilidade no atendimento de parte do Tecon. "A Superintendência do Porto do Rio Grande (SUPRG) está demorando a colocar o pátio em uso e os caminhões têm que esperar até oito horas para ingressar no terminal. Além de esperar nas filas, o pessoal ainda corre risco de ser assaltado", explicou.O motorista Alexsandro Dias, 27 anos, que na manhã de ontem aguardava para entrar no Terminal de Contêineres, disse que já chegou a ficar nove horas na fila e que à noite é perigoso. "Aqui (Via 9) falta iluminação e segurança. Não se pode dormir ou roubam tudo. Se a espera fosse no pátio de estacionamento, poderíamos descansar um pouco", explicou. Conforme Giovane de Sá, com a construção do terceiro berço do Tecon, inaugurado no início do mês, a situação piorou, pois atraca maior número de navios e o maquinário do terminal é o mesmo. Além disso, segundo ele, atualmente, a maioria das máquinas está em manutenção, ficando poucas em operação. O Sindicam já enviou ofício à SUPRG, ao Conselho de Autoridade Portuária (CAP), Tecon e Associação Gaúcha dos Terminais Retroportuários pedindo que essa questão seja resolvida, mas a situação se mantém. "Pedimos que pelo menos o pátio de estacionamento seja liberado", observou. O secretário do Sindicam diz que a demora nas filas de espera traz prejuízos para os caminhoneiros, que ganham por movimentação, para os terminais retroportuários e clientes. Ressalta que o Tecon alega que trabalha 24 horas, mas o fluxo começa à tardinha e o terminal precisa ter como atendê-los. O movimento maior de caminhões ocorre a partir do final da tarde porque é o horário de chegada dos veículos de fora do Município e de término de estufagem (carregamento) dos contêineres nos terminais retroportuários.Outro fator negativo da espera em filas na Via 9 relatado por ele é o risco de acidentes. Isso porque após a construção da estrada alternativa para o Cassino, o fluxo de automóveis nesta via aumentou bastante, tornando o local perigoso para os motoristas quando precisam descer dos caminhões. "Já houve caso de um caminhoneiro quase ser atropelado", relatou. SUPRG O superintendente do Porto do Rio Grande, Sinézio Cerqueira, disse que realmente o pátio de estacionamento foi construído para atender o Tecon, mas a SUPRG não tem guardas em número suficiente para colocar no local. Explicou que a intenção era fazer um convênio com o Tecon para que este se encarregasse de cuidar a área, sem ônus para o porto e nem para os caminhoneiros, mas o Sindicam e outros sindicatos não aceitam por tratar-se de uma área pública. Assim, a SUPRG está estudando uma alternativa - a contratação emergencial de vigilantes patrimoniais para atender às necessidades do pátio e de outras áreas do porto. "O Conselho de Direção da SUPRG vai discutir essa alternativa terça-feira", explicou. No entanto, também há possibilidade de a SUPRG usar esse espaço, em caráter emergencial e por aproximadamente um mês, para armazenamento de carros da GM, uma vez que o pátio automotivo já está saturado.Tecon A direção do Tecon informou que o terminal e seus 11 gates (entradas dos caminhões) operam 24 horas, porém as empresas com maior volume de exportação acabam mandando todos os contêineres num só horário e em vésperas de finais de semana e feriados ocorrem filas. "Como algumas empresas não trabalham 24 horas, acaba havendo esse acúmulo", destaca. Afirma que a espera em filas não acontece diariamente. Também lembra que o pátio de estacionamento foi feito para minimizar ou solucionar esse problema, mas pertence à SUPRG.
Fonte: Agora
Fonte: Agora